A Prefeitura de Goiandira publicou recentemente um edital de leilão que já causa desconforto e levanta questionamentos entre a população e agentes públicos atentos. A medida, que teoricamente visa a alienação de bens inservíveis ao município, traz em sua lista veículos que vão muito além do que se entende como sucata ou material irrecuperável.

Entre os lotes estão carros em bom estado de conservação, com ano de fabricação recente, como modelos de 2018, 2022 e até 2023. Veículos que, em tese, ainda poderiam ser plenamente utilizados em diversas áreas da administração pública – como saúde, educação, transporte e serviços urbanos. Por que então leiloá-los?
A falta de transparência sobre os critérios adotados para essa decisão levanta dúvidas pertinentes: os cofres públicos estariam tão esvaziados a ponto de justificar a venda de bens que ainda serviriam à própria estrutura da prefeitura? Há, por acaso, alguma urgência financeira sendo escondida da população?
Mais grave ainda é o silêncio da Câmara Municipal. Até o momento, os vereadores de Goiandira – eleitos justamente para fiscalizar o uso dos recursos públicos – não se manifestaram com a firmeza que o caso exige. Em um momento em que a prefeitura já enfrenta uma série de denúncias e questionamentos, o leilão de veículos úteis pode configurar mais um capítulo de uma gestão que tem ignorado os princípios de zelo e responsabilidade com o patrimônio do povo.
A sociedade goiandirense cobra explicações. Qual o destino do dinheiro arrecadado? Por que veículos com poucos anos de uso estão sendo descartados? E mais: quais interesses estão por trás dessa decisão? O momento exige atenção, investigação e, acima de tudo, posicionamento dos representantes do povo. Goiandira não pode mais ser administrada às sombras.






