A Polícia Civil do Estado de Goiás, por meio da equipe do Grupo Especial de Investigação Criminal (GEIC) da 9ª Delegacia Regional de Polícia, deflagrou na manhã desta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, uma operação policial nas dependências da empresa CMOC, na unidade Fosfatos Catalão. A ação foi apresentada em coletiva à imprensa pelo delegado responsável pelas investigações, Dr. Marcos Vinícius.

De acordo com o delegado, a operação é resultado de semanas de apuração iniciadas após a própria empresa procurar a Polícia Civil, ao identificar, por meio de auditoria interna, indícios de desvio de cargas em suas operações. Segundo ele, a CMOC possui um sistema de controle rigoroso, o que possibilitou detectar movimentações suspeitas envolvendo a saída irregular de produtos.

A partir das informações repassadas pela empresa, os investigadores conseguiram levantar os prováveis envolvidos e passaram a monitorar a movimentação de caminhões na unidade. Na manhã desta terça-feira, a equipe policial foi informada de que veículos estavam sendo carregados e organizou uma ação imediata. Dois caminhões já deixavam o local quando foram abordados pelos policiais.

Durante a fiscalização, os motoristas apresentaram notas fiscais que, após verificação, foram identificadas como falsas. Em seguida, a Polícia Civil foi informada de que um terceiro caminhão também estava sendo carregado. A equipe realizou nova abordagem e conduziu os envolvidos até a delegacia, juntamente com um colaborador da empresa apontado como responsável por fornecer as notas fiscais falsas, permitindo que os caminhões saíssem da unidade com a carga desviada.
Ainda segundo o delegado Marcos Vinícius, a empresa estima que os desvios vinham ocorrendo há pelo menos dois meses, podendo ter causado um prejuízo aproximado de R$ 3 milhões. O valor, conforme esclarecido, não se refere apenas à carga apreendida nesta operação, mas ao montante total dos desvios ocorridos ao longo do período investigado.
Ao todo, quatro pessoas foram presas em flagrante: três motoristas e um funcionário da empresa. O delegado informou que ainda não há confirmação sobre o vínculo empregatício dos motoristas com a CMOC. Questionado sobre o destino das cargas desviadas, ele explicou que, por se tratar de notas fiscais frias, não foi possível identificar de imediato os receptadores, o que será aprofundado no decorrer das investigações, que podem alcançar Catalão e cidades da região.
A Polícia Civil acredita que a ocorrência pode ter grande desdobramento, já que materiais e documentos apreendidos serão analisados, com a possibilidade de identificação de outros colaboradores envolvidos no esquema, além dos receptadores das cargas. Os suspeitos devem responder, inicialmente, por crimes como furto qualificado, em razão do abuso de confiança e do concurso de pessoas, associação criminosa, falsificação de documento público e uso de documento falso. Somadas, as penas podem chegar a aproximadamente 16 anos de reclusão, a depender do enquadramento final ao término das investigações.
Os quatro detidos permanecem à disposição da Justiça e, conforme informado pela Polícia Civil, serão encaminhados ainda nesta terça-feira ao sistema prisional de Catalão, onde ficarão à disposição do Poder Judiciário.

Em nota oficial, a CMOC Brasil informou que acionou a Polícia Civil após identificar indícios de possível desvio de produtos em suas operações na unidade Fosfatos Catalão. A empresa destacou que está colaborando integralmente com a apuração dos fatos e reforçou que não compactua com qualquer prática irregular, mantendo seu compromisso com a ética, a transparência e o cumprimento da legislação. A CMOC Brasil afirmou ainda que permanece à disposição das autoridades competentes.
As investigações seguem em andamento sob responsabilidade da Polícia Civil.
Escrito por: Thiago Ferreira
Fotos: Thiago Ferreira/ Blog Diante do Fato









