Goiandira-GO vive um escândalo que escancara o abismo entre o discurso público e a realidade das famílias. Após realizar eventos, caminhadas e ações de “conscientização” sobre o autismo pelas ruas da cidade, a Prefeitura virou as costas justamente quando uma criança autista mais precisava.

Nesta semana, uma mãe, em prantos, viralizou nas redes sociais ao denunciar que seu filho, diagnosticado com autismo, foi ignorado pelo sistema público de saúde. Ela procurou o Centro de Saúde José Alves Porto Filho em busca de atendimento psicológico, mas o que ouviu foi cruel: “Ainda estamos atendendo 2024.”
Enquanto políticos discursavam com microfones em punho, e camisas azuis desfilavam em eventos organizados pela própria Prefeitura, a saúde mental seguiu abandonada. Na prática, não há profissionais, não há estrutura, não há atendimento. O que existe é maquiagem institucional.
“Dinheiro pra obra tem. Pro meu filho, não.” A frase da mãe ferida é um soco no estômago da gestão do prefeito Alisson Peixoto. Uma gestão que promove eventos, posa para fotos, mas falha onde realmente importa: no cuidado diário, no acesso real ao que é direito garantido por lei.
E onde está a Associação dos Autistas neste momento? Onde estão os vereadores e líderes que subiram em palanques e prometeram lutar pela causa? O silêncio é ensurdecedor.
A Secretaria de Saúde de Goiandira parece anestesiada diante do caos. E o que já era grave fica ainda pior: pacientes de cidades vizinhas, como Ouvidor, também buscam atendimento aqui, colapsando um sistema que já estava à beira do abismo.
É preciso parar de usar o autismo como pauta de evento. Basta de discursos bonitos e ações vazias. Goiandira exige respeito, seriedade e atitude.
Porque quem sofre não é o marketing político — é a criança que chora em silêncio, à espera de um atendimento que nunca chega.

