A morte de um bebê após uma sequência de atendimentos e uma transferência de emergência entre Ipameri e Catalão deixou uma família devastada e provocou revolta entre familiares e moradores. O pai da criança, Moisés Santana, decidiu tornar público o relato de tudo o que aconteceu e cobrar das autoridades providências para que outras famílias não passem por uma situação semelhante.

Segundo Moisés, sua esposa, Laís, estava com 37 semanas e um dia de gestação quando começou a passar mal durante a tarde. Por volta das 13h30, o casal procurou o pronto-socorro municipal de Ipameri. De acordo com o relato do pai, a gestante foi examinada e teria sido informada de que não apresentava dilatação, sendo orientada a retornar para casa.
Horas depois, por volta das 23h, a situação teria se agravado. Ainda segundo Moisés, quando Laís se levantou da cama, começou a apresentar um sangramento intenso, com sangue vivo. A família entrou em desespero e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O pai fez questão de destacar que, na avaliação dele, a equipe do Samu chegou rapidamente ao local e realizou o atendimento. A gestante foi levada novamente para atendimento médico e, conforme o relato de Moisés, o médico que estava de plantão informou que Laís já apresentava aproximadamente seis centímetros de dilatação.
Diante da situação, foi necessária a transferência para Catalão, município localizado a aproximadamente 60 quilômetros de Ipameri, onde havia estrutura para atendimento especializado.
Segundo o pai, foi durante esse deslocamento que teria ocorrido um dos momentos mais preocupantes de toda a ocorrência. Moisés afirma que a ambulância utilizada para transportar sua esposa apresentava problemas mecânicos e teria perdido força e desligado durante o trajeto.
De acordo com o relato, o motorista precisaria parar o veículo e religá-lo para conseguir continuar a viagem. Moisés afirma que esse problema teria acontecido três vezes até a chegada a Catalão.
O pai reconhece que não possui, neste momento, documentos ou registros que comprovem a falha mecânica relatada, mas afirma que decidiu tornar o caso público para que os fatos sejam investigados.
Ao chegar a Catalão, segundo o relato da família, ainda foram realizados procedimentos para avaliação da gestante e encaminhamento para atendimento especializado. Conforme Moisés, houve mobilização de pessoas para conseguir uma vaga para o bebê em uma unidade com estrutura adequada.
A criança, chamada Arthur pela família, precisou ser encaminhada para atendimento em UTI. Segundo o pai, os médicos informaram que o bebê havia eliminado mecônio ainda dentro do útero. A criança não resistiu e morreu.
Para Moisés, a sequência dos acontecimentos precisa ser investigada. O pai questiona se uma estrutura hospitalar mais completa em Ipameri, com equipamentos capazes de acompanhar a evolução da gestação e identificar alterações no estado do bebê, poderia ter permitido uma intervenção diferente.
Em seu desabafo, Moisés deixou claro que não está buscando dinheiro ou indenização. Segundo ele, nenhum valor seria capaz de devolver o filho à família. O objetivo da manifestação, afirma, é alertar as autoridades e cobrar mudanças na estrutura de atendimento às gestantes.
Além do relato da família, o Blog Diante do Fato realizou um levantamento sobre a estrutura de saúde de Ipameri. A apuração mostra que o município conta com atendimento de pronto-socorro, enquanto a estrutura hospitalar necessária para procedimentos como partos e atendimentos de maior complexidade está vinculada à rede hospitalar e de referência regional. O Hospital São Paulo, que historicamente concentrou serviços hospitalares e estrutura para partos e procedimentos cirúrgicos no município, passou por problemas estruturais e interdições, segundo informações levantadas pela reportagem.
Essa informação sobre a estrutura hospitalar de Ipameri é resultado da apuração realizada pelo Blog Diante do Fato e não corresponde a uma declaração feita pelo pai da criança. A reportagem considera importante fazer essa distinção para que o leitor saiba exatamente o que foi relatado pela família e o que foi levantado jornalisticamente.
A situação expõe uma discussão que há anos preocupa moradores: a necessidade de garantir às gestantes de Ipameri atendimento adequado e estrutura capaz de oferecer segurança durante a gravidez, o parto e eventuais situações de emergência.
Quando uma gestante precisa ser transferida para outro município, especialmente em uma situação de trabalho de parto ou possível sofrimento fetal, o transporte e o tempo de deslocamento passam a ser fatores importantes. Ipameri está a cerca de 60 quilômetros de Catalão, e qualquer intercorrência durante uma transferência precisa ser analisada pelas autoridades responsáveis.
A família agora vive o luto pela perda de Arthur e busca respostas para entender se houve falhas no atendimento, na estrutura disponível, no transporte ou em qualquer outra etapa do processo.
O caso deverá ser esclarecido a partir da análise dos prontuários médicos, horários dos atendimentos, condições clínicas da mãe e do bebê, registros da transferência, condições da ambulância e demais informações que possam contribuir para a apuração.
As afirmações relacionadas ao atendimento médico e às supostas falhas mecânicas da ambulância são, até o momento, relatos apresentados pelo pai e precisam ser investigadas antes de serem consideradas fatos comprovados.
O Blog Diante do Fato permanece aberto para manifestação da Prefeitura de Ipameri, da Secretaria Municipal de Saúde, dos profissionais e unidades envolvidos, bem como de qualquer instituição que queira apresentar esclarecimentos sobre o caso.
Para Moisés e Laís, porém, nenhuma explicação será capaz de apagar a dor da perda. O filho que a família esperava receber em casa agora deixa apenas a saudade e uma série de perguntas que os pais esperam ver respondidas.
A manifestação do pai é também um apelo para que outras famílias não precisem enfrentar a mesma situação.

