Em 17 de novembro de 2023, uma mulher de 59 anos denunciou um motorista da Prefeitura de Anhanguera, de 55 anos, por assédio sexual durante uma viagem para tratamento médico em Uberlândia. O caso foi registrado como crime de importunação sexual e está sendo investigado pelas autoridades.

Segundo o relato da vítima, ao embarcar no veículo para retornar para casa, o motorista começou a agir de forma inapropriada. Ele passou a encará-la de maneira lasciva, mordeu os lábios e fez comentários de cunho sexual, dizendo frases como: “Você é muito gostosa”, “Essa viagem será inesquecível” e “Tenho um tesão por você”.
Durante o trajeto de volta, o motorista desviou a rota e seguiu por uma estrada vicinal, diminuindo a velocidade próximo a uma represa. Assustada, a mulher questionou a mudança de percurso, mas o motorista insistiu que estava no caminho certo. Em determinado momento, a vítima disse ao motorista: “Imagina se meu marido souber que estou em um lugar desses, no meio do mato.” Em seguida, o motorista sacou um canivete e afirmou: “Aqui é o que eu tenho para homem bravo.”
A vítima conseguiu avisar seu filho por meio de uma chamada de vídeo e informou sua localização. Ao perceber a ligação, o motorista tentou tranquilizar o filho da mulher, alegando que apenas havia errado o caminho e que a levaria em segurança para casa. O motorista então seguiu até a residência da vítima e a deixou no local.
A mulher registrou um boletim de ocorrência na 2ª Delegacia de Polícia Civil de Uberlândia em 19 de março de 2024, mas, mesmo após relatar o caso ao prefeito e ao secretário de Saúde da época, nenhuma providência foi tomada. O motorista, apesar das graves acusações, continua trabalhando na Prefeitura, tendo sido apenas remanejado para outra função.
A vítima, enfrentando problemas emocionais devido ao trauma, procurou a Câmara Municipal de Anhanguera para pedir apoio. Durante a 153ª Sessão Ordinária da 17ª Legislatura, realizada em 17 de abril de 2024, os vereadores discutiram o caso e expressaram indignação pela falta de ação da Prefeitura.
O presidente da Câmara ressaltou que afastar o motorista não é suficiente e que uma investigação rigorosa deve ser feita, destacando que casos como esse precisam ser levados a sério para evitar que se repitam. Outro vereador reforçou que a Câmara tem poder para abrir uma sindicância e afastar o servidor, além de garantir que a lei seja cumprida.
A Promotoria de Justiça de Goiás determinou que a Prefeitura de Anhanguera deve, no prazo de 10 dias, instaurar uma sindicância para apurar os fatos. Caso contrário, poderá responder por improbidade administrativa. Além disso, requisitou à Polícia Civil de Uberlândia que investigue a possível prática dos crimes previstos nos artigos 147 e 215-A do Código Penal.
O caso segue sob investigação, enquanto a vítima busca justiça e medidas efetivas para responsabilizar o agressor.

