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Obra parada, risco dobrado: lentidão na duplicação da BR-050 revolta moradores de Catalão

de diantedofato
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A duplicação da BR-050 no trecho urbano de Catalão, que deveria representar um avanço histórico na mobilidade e segurança da cidade, tornou-se um símbolo de descaso e frustração. A população, que há décadas sonha com a melhoria na via, agora enfrenta uma realidade marcada por promessas não cumpridas, ritmo vergonhoso de execução e riscos diários de acidentes. A responsável pela obra, a concessionária Ecovias Minas Goiás, demonstra um completo desprezo pelo impacto que o atraso causa à vida de milhares de moradores.

Mesmo alegando que 80% da duplicação está concluída e que 4,4 km já foram liberados, a empresa falha em convencer a população de que há qualquer avanço digno de credibilidade. Ao contrário do discurso otimista da concessionária, quem passa pelo trecho presencia um cenário de abandono: máquinas desligadas, operários escassos e estruturas inacabadas que colocam motoristas e pedestres em perigo constante.

Crateras abertas, retornos improvisados e sinalização deficiente são apenas parte dos problemas. A lentidão da obra não apenas compromete a fluidez do tráfego, mas também alimenta a sensação de insegurança e revolta. Os moradores do entorno, especialmente do bairro Castelo Branco e adjacências, denunciam que a falta de ação concreta já ultrapassou os limites da paciência. “É só promessa. Eles dizem que está tudo no cronograma, mas a realidade é outra. Basta passar ali e ver que nada anda”, desabafa um morador que vive há mais de 30 anos na região.

Além dos perigos evidentes, surgem novas preocupações ligadas à drenagem pluvial. Sem a devida atenção da Ecovias, há o temor de que a água das chuvas seja mal direcionada, sobrecarregando a já problemática Avenida Raulina Fonseca Paschoal e agravando os alagamentos durante o período chuvoso. Para piorar, a Superintendência de Água e Esgoto segue impedida de concluir ligações de esgoto no bairro Pontal Norte, porque a concessionária não libera os acessos necessários. Um entrave inaceitável que evidencia a falta de articulação e compromisso com o bem-estar da cidade.

A insatisfação é generalizada. A população exige providências imediatas: reforço na sinalização, ajustes nos acessos temporários e, principalmente, transparência. A cobrança também se estende às autoridades municipais, que parecem ausentes diante da postura negligente da concessionária. Não há mais espaço para desculpas técnicas ou discursos prontos. Enquanto a Ecovias empurra o problema com promessas adiadas para o segundo semestre de 2025, mais de 40 mil pessoas continuam expostas ao caos.

Catalão não pode ser refém da lentidão e do descompromisso de uma empresa que se beneficiou da concessão pública, mas entrega apenas transtornos. A obra, que deveria ser um marco de progresso, tornou-se um alerta de que a paciência da população tem limites — e eles já foram ultrapassados.

Foto: Rodrigo Dourado

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