Uma operação deflagrada pela Polícia Civil de Santa Catarina nesta segunda-feira (26) busca desarticular um esquema criminoso responsável pela falsificação e comercialização de medicamentos, entre eles um produto vendido como Ozempic, mas que continha insulina. O caso ganhou repercussão após uma mulher catarinense, que buscava emagrecer, aplicar o falso medicamento e sofrer reações graves, sendo internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

As ações policiais ocorreram em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, onde um homem foi preso, em outras duas cidades catarinenses e também em Catalão, no Sudeste de Goiás. No total, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e dois de prisão.
Em Catalão, a Polícia Civil prestou apoio à equipe catarinense para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um homem residente no bairro Castelo Branco, que também era alvo das investigações. Na residência dele, os policiais apreenderam milhares de comprimidos sem comprovação de origem ou sem identificação, além de diversos frascos de anabolizantes. O suspeito foi preso em flagrante pela prática do crime previsto no artigo 273, parágrafo 1º-B do Código Penal Brasileiro, que trata da falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.

A investigação revelou que a vítima acreditava estar utilizando um medicamento para emagrecimento, mas, na verdade, aplicou insulina — substância destinada ao controle de glicose no sangue — o que provocou complicações severas. A operação resultou ainda na apreensão de veículos de luxo e imóveis adquiridos com os lucros obtidos ilicitamente, que agora estão indisponíveis para possível reparação dos danos às vítimas.
De acordo com a polícia, o grupo criminoso atuava com um sofisticado esquema de adulteração. Eles conseguiam medicamentos vencidos, removiam as datas de validade originais e aplicavam novas datas dentro do prazo. Uma gráfica produzia embalagens praticamente idênticas às originais, o que facilitava a comercialização nas redes sociais a preços abaixo do mercado. Além dos falsos medicamentos para emagrecimento, os investigados também vendiam anabolizantes, remédios abortivos e outros produtos não autorizados pela legislação brasileira.

A Polícia Civil informou que os suspeitos poderão responder por diversos crimes, incluindo tentativa de homicídio com dolo eventual, em razão da gravidade dos riscos impostos à saúde pública.
Por meio de nota, o advogado Leandro de Paula, que representa o investigado em Catalão, declarou que “ainda é prematuro qualquer juízo de valor sobre as acusações” e afirmou que seu cliente está à disposição das autoridades. A defesa garantiu que, durante a instrução processual, serão apresentados os elementos que comprovarão a inocência do acusado.
As investigações seguem em andamento e a Polícia Civil pretende identificar todos os envolvidos e responsabilizá-los pelos crimes praticados, destacando o alto poder de lucro e o grave risco à saúde gerados por esse tipo de atuação criminosa.

