A Polícia Civil do Estado de Goiás, por meio da Delegacia de Polícia de Goiandira, pertencente à 9ª Delegacia Regional de Polícia (DRP), deflagrou a operação “Caça-Fantasmas” e cumpriu mandados de busca e apreensão domiciliar contra dois suspeitos de figurarem como funcionários públicos fantasmas da Prefeitura Municipal de Goiandira. Ambos os investigados são apontados como sendo o namorado e o amante do ex-chefe do setor de Recursos Humanos da administração municipal, preso em fevereiro deste ano em outra operação policial.

A investigação, que durou aproximadamente quatro meses, começou com a análise de documentos obtidos na primeira fase da operação. A partir desses dados, além de medidas investigativas como quebra de sigilo bancário, produção de relatórios de inteligência e de lavagem de capitais, a Polícia Civil comprovou um esquema articulado pelo ex-chefe do RH para desviar recursos públicos com o uso de funcionários fictícios.
Segundo o inquérito policial, o ex-chefe do setor de RH inseriu dois homens, ambos de 25 anos, como servidores municipais em cargos inexistentes. Um deles, bacharel em Direito e residente em Catalão, foi nomeado falsamente como “Chefe do Conselho de Segurança” e recebeu salários entre maio de 2023 e setembro de 2024. O outro, técnico em enfermagem e também morador de Catalão, foi inserido como “Chefe do Almoxarifado”, recebendo remuneração mensal de novembro de 2022 a novembro de 2024. Nenhum dos dois jamais exerceu qualquer função ou sequer compareceu à sede da Prefeitura.

Além dos salários recebidos irregularmente, os dois “funcionários fantasmas” também realizaram empréstimos consignados junto a instituições financeiras, com valores que ultrapassam R$ 50 mil para cada um. As investigações apontam que os recursos obtidos foram divididos entre os integrantes do esquema criminoso.
A Polícia Civil também identificou a participação de um correspondente bancário de Catalão, preso anteriormente na Operação Torniquete, deflagrada em março. Ele teria auxiliado na obtenção fraudulenta dos empréstimos consignados, reafirmando sua ligação com o ex-chefe do RH em práticas criminosas contra servidores e a administração municipal.
Outro ponto revelado pela investigação é que parte do patrimônio do ex-chefe do RH foi ocultada em nome de um dos fantasmas, numa tentativa de blindar seus bens de possíveis medidas judiciais. A manobra, no entanto, foi descoberta pela atuação diligente da equipe policial.
Durante o cumprimento dos mandados nesta nova fase da operação, aparelhos celulares dos suspeitos foram apreendidos e passarão por perícia técnica para fortalecer as provas existentes e, possivelmente, revelar novos crimes ou cúmplices.
Com a operação “Caça-Fantasmas”, a Polícia Civil reafirma seu compromisso com a proteção do erário público e a responsabilização de todos os envolvidos na dilapidação dos cofres da Prefeitura de Goiandira. Os investigados responderão pelos crimes de peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso, associação criminosa e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem ultrapassar os 30 anos de reclusão.

